Passados seis meses após o surgimento dos primeiros casos do novo coronavírus (SARS-CoV-2), há muitas perguntas ainda sem respostas a respeito da forma como a doença se comporta no organismo humano.

Um dos questionamentos está relacionado à produção de anticorpos e o tempo de duração da imunidade em uma pessoa que contraiu a Covid-19.

Em todo o mundo, várias instituições realizam pesquisas a fim de determinar se os testes sorológicos positivos são indicativos de imunidade protetora contra o vírus.

Esse levantamento inclui a avaliação do nível de anticorpos necessários para a proteção contra uma reinfecção pela doença, a duração dessa proteção e os fatores associados ao desenvolvimento de uma resposta protetora de anticorpos, conforme explicou o patologista clínico David Bichara.

“Até agora não temos nenhum relato de reinfecção, não há nenhum caso no mundo. Isso nos diz alguma coisa, que o organismo tem imunidade por pelo menos três meses. Os primeiros pacientes que tiveram Covid na China estão sendo acompanhados e não tiveram reinfecção”, pontuou o médico.

Ele ressaltou que algumas pessoas podem não desenvolver anticorpos detectáveis após a infecção. Em outros casos, é possível que os níveis de anticorpos diminuam ao longo do tempo para níveis indetectáveis.

Segundo o patologista, em geral, isso ocorre porque quando um vírus penetra no organismo as células agem para destruí-lo. Ou seja, nem todos os pacientes de Covid-19 desenvolvem anticorpos detectáveis.

Isso também pode explicar o motivo da maioria das pessoas serem assintomáticas e/ou terem quadros leves ou moderados da doença.

De acordo com o patologista, a utilização dos testes sorológicos quantitativos para a pesquisa de anticorpos, como o IgA, IgM e IgG, pode ajudar a entender como a resposta imune contra o vírus se desenvolve nos pacientes ao longo do tempo e quantas pessoas podem ter sido infectadas em uma determinada população.

Porém, a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) é para que esses testes sejam feitos a partir do 11º dia após o início dos sintomas.

“Como um teste sorológico pode produzir resultado não reagente (negativo), mesmo em pacientes infectados (se o anticorpo ainda não se desenvolveu em resposta ao vírus) ou pode ser falsamente positivo (se o anticorpo para um tipo de coronavírus diferente da atual cepa pandêmica estiver presente), os testes de anticorpos não devem ser usados para diagnosticar infecção aguda por Covid-19.”

Na fase inicial da doença, sendo até o sétimo dia do início dos sintomas, a OMS recomenda que o diagnóstico seja por meio do teste genético RT-PCR, que se trata de um teste molecular para a detecção do vírus.

No Brasil, existem outros testes que detectam o vírus em estágio inicial, como o exame para antígenos que detectam a presença de proteínas virais.

“Temos também testes rápidos para proteína viral, para saber se a pessoa está transmitindo. São os exames que os jogadores de futebol estão fazendo antes de entrar em campo. Se tiver a proteína significa que o paciente está transmitindo vírus”, reforçou o médico.

Devido à pandemia, muitos tipos de testes foram desenvolvidos no mundo. Contudo, o médico orienta que a população procure se submeter a testes com a qualidade certificada, a exemplo dos ofertados pelos laboratórios e redes de farmácias.

Até momento, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) avaliou cerca de 99 testes. Do total, 36 não foram qualificados. Há pessoas comprando testes pela internet e em postos de combustíveis, o que contraria as normas da Anvisa, sem o registro do órgão competente”, alertou o patologista.

Por: Diário Online

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