(Foto: divulgação)
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Em todo mundo os pobres e miseráveis estão presentes. Eles estarão sempre convosco.

Não é desconhecido de quem lê estas linhas de que em todo o cosmo há pessoas passando por inúmeras necessidades: necessidade de amor, de atenção, de cuidado, de oportunidade, de esperança e de pão.

Na oração dominical Jesus nos ensinou a orar “o pão nosso” porém, o pão nosso tem sido cada vez mais, pão meu, pão seu, e cada vez menos, NOSSO. É inaceitável em uma época de revolução/evolução industrial e produção, inúmeras pessoas deitarem-se sem ter ingerido o mínimo do necessário. Crianças não só passando, mas morrendo de inanição. Enquanto isso o desperdício de alimento é assustador.

A sociedade reflete cada vez menos os ideais do Senhor, do reino de Deus. Olhando para esta, nos deparamos com o poder público que ainda com todos os esforços se esbarra no problema da corrupção que tira a educação, a segurança, a saúde e o pão, principalmente dos mais simples. Para alguns cristãos é isso que se deve esperar de uma sociedade sem Deus. Entendo que esta além de ser uma leitura perigosa é pessimista. Perceba que não estou falando de soteria (salvação). Meu texto tem como proposta o cuidado ao próximo independente de sua religião, cor, partido político e poder aquisitivo. A natureza pecaminosa não tirou do homem a capacidade de promover o bem social, de prover pão a quem tem fome.

E o que falar da religião, principalmente a cristã, que cada vez mais é representada não pela cruz, pelo Jesus que fazia o bem indiscriminadamente ou pelo Cristo ressurreto, mas pelas grandes catedrais, igrejas luxuosas, carros importados, salários de líderes obscenos, contas astronômicas no exterior. Enquanto isso pessoas sofrem nas cercanias da igreja: sofrendo com a indiferença e sofrendo por lhe faltar o pão. É espantoso o registro da existência de inúmeras igrejas no Brasil disputando as vilas, os grandes centros. É uma verdadeira colonização religioso-cristã em busca necessariamente não de vidas, mas de ouro, de espaço para ampliar seu domínio. Porém, os índices negativos na sociedade não diminuem (reconheço o papel da religião) e assim a violência aumenta, e os números de necessitados sem pão também. Com certeza o quadro é um reflexo do quanto estamos distantes do Espírito de Jesus, do Jesus que proveu pão e peixe para os pobres sem esquecer-se de suas reais necessidades, o Evangelho, a salvação.

Alguns cristãos tentam amenizar suas consciências com o discurso de que o povo precisa do evangelho, do evangelho e do evangelho. Não esqueçamos que o evangelho desprovido da ação, é fé sem obra, portanto morta.

Alguém poderá me acusar de comunismo ou adepto da missão integral, bobagem. Eu creio num evangelho que é poderoso para realizar transformações históricas em todos os aspectos.

Minha oração é que alcancemos o dia em que de fato possamos dizer “Pão Nosso“, para isso todos precisarão se despojar do individualismo, da soberba, do espírito de mamom e da indiferença. E olharmos para o próximo como criação de Deus, e assim como nós, digna de cuidados, de afeto, de atenção, e inclusive ou principalmente, do pão.

 

Taciano Cassimiro, é líder da Igreja Presbiteriana de Tailândia. Bacharel em Teologia, palestrante e escritor. Leciona História, Sociologia e Filosofia.

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