Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Foto: reprodução)
Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Foto: reprodução)
Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Foto: reprodução)

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse ontem (21) que a paralisação da Operação Guardiões da Amazônia, destinada a vistoriar madeireiras no município de Tailândia (PA), não representa o fim da atuação do governo na área, mas uma estratégia para evitar conflitos com a população. A retirada da madeira ilegal já foi retomada, segundo a ministra.

Na última terça-feira (19), um grupo de pessoas contrárias à operação cercou fiscais do governo do Pará e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e tentou invadir uma das serrarias da cidade para atear fogo a um caminhão que retirava a madeira apreendida na fiscalização.

A Amazônia ilegalComentário do editor: A autoridade local, secretário municipal de Tailândia, Pará, diz para quem quiser ouvir – 60% do município já foi desmatado nos últimos 40 anos, quando foi criado, e 70% da economia local depende dos madeireiros. Ao que tudo indica, dominado por extração ilegal de madeira. Se houver alguma legal, certamente era misturada às ilegais para dar cobertura no processamento do conjunto do estoque. Isso funciona assim há 40 anos!!! as “autoridades” locais, que deveriam zelar pelo Estado de Direito, certamente nunca tomaram qualquer atitude nesse sentido. Hoje, existe no local uma “cidade” com mais de 67 mil habitantes, que vive desse misto legal/ilegal, e que é insuflada pelos gestores da ilegalidade a repudiarem a ação do Estado na implantação de sua presença. O que isso difere da situação em muitas favelas em morros cariocas, onde os traficantes de drogas “são o estado”, implantam sua “justiça”, fazem “ações sociais”, que acabam colocando parte de seus moradores a seu lado e contra a entrada do Estado na área (temos que descontar, aí, as naturais e saudáveis reações a excessos e violências policiais…).

Criminosos manipulam trabalhadores
“A operação de Tailândia vai ser efetivada. Nós não queremos é confronto com a população, estamos combatendo criminosos e contraventores, e essas pessoas infelizmente manipulam os moradores locais. Mas não queremos repetir nenhum caso de violência do tipo de Eldorado dos Carajás, longe disso”, afirmou a ministra.

Ela se referiu ao confronto ocorrido em 17 de abril de 1996 no município de Eldorado dos Carajás, ao sul do Pará, envolvendo agricultores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Polícia Militar, que resultou na morte de 19 trabalhadores rurais.

“Estamos trabalhando com algo complexo, que envolve direitos sociais importantes, mas nem por isso o Estado deve ser conivente com qualquer prática ilegal em relação à madeira”, acrescentou.

De acordo com a ministra, o contingente policial para garantir o transporte de madeira foi ampliado por determinação da governo do Pará de 80 para 160 policiais militares. Marina Silva afirmou que o caso de Tailândia é um episódio isolado e que o Ibama e a Polícia Federal manterão o cronograma de operações de fiscalização de madeira ilegal.

O governo já identificou quem são os líderes de madeireiros e fazendeiros que desmatam ilegalmente a Amazônia e que têm incitado a população a atacar agentes da Polícia Federal e do Ibama na véspera da deflagração da Operação Arco de Fogo, nome dado à grande mobilização repressiva planejada para a região nos próximos dias. Os nomes e endereços de todos eles já estão com a PF. Assim que a operação começar, deverão ser presos se insistirem em resistir à ação do governo.

Depois de assistirem a filmes dos tumultos ocorridos desde terça-feira na cidade de Tailândia, localizada a 240 km de Belém, o ministro-chefe do Gabinete Institucional, general Jorge Félix, delegados da PF, agentes do Ibama e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), além de representantes do Ministério da Justiça, trataram hoje dos últimos preparativos para a Operação Arco de Fogo. A reunião com o general Félix foi realizada no Palácio do Planalto, no gabinete da Segurança Institucional.

Foi decidido que os agentes de segurança de todos os setores deverão evitar conflitos com a população. Uma das formas, concluíram os participantes dos preparativos para a operação, será tentar fazer com que os moradores fiquem do lado das forças de segurança. Os madeireiros têm dito que o governo está promovendo o desemprego, ao fechar serrarias. No contra-ataque, o governo deverá responder que os madeireiros são a causa do desemprego, visto que destróem a floresta.

Madeireiros ameaçados de prisão

Governo Federal diz ter identificado empresários que insuflaram população de Tailândia (PA) contra fiscais do Ibama e agentes da PF

Ao todo, o governo pretende utilizar 800 agentes da PF, Abin, Ibama, Força Nacional de Segurança e Polícia Rodoviária Federal na operação. As polícias Civil e Militar do Pará também deverão dar apoio aos agentes federais na operação que atingirá toda a Amazônia Legal, do Acre, no extremo oeste, até o Maranhão, já na parte leste. A Operação Arco de Fogo foi decidida depois da constatação de que está havendo desmatamento ilegal na Amazônia. Os estados com situação mais crítica são Mato Grosso, Pará e Rondônia.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, lembrou hoje que conflitos por causa da repressão à derrubada da floresta são comuns. “No ano passado ocorreram em Buriticu (cerca de 700km a sudoeste de São Luís, no Maranhão), onde atuamos com forças da Guarda Nacional, Exército, Polícia Federal e Rodoviária. Graças a Deus não houve conflitos”, disse Marina. Ela acrescentou que logo em seguida os tumultos foram verificados em Novo Progresso (cerca de 400km ao sul de Belém).
(Fonte: Luana Lourenço, repórter da Agência Brasil, Correio Braziliense, com o Observatório)

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