A conquista da vacina contra a Covid-19, disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), não descarta a necessidade da manutenção dos protocolos de segurança contra a doença.

Segundo o médico infectologista do HGI, Márcio Erivaldo Maia Uchôa, nenhuma vacina disponível, mesmo para outras doenças, garante que as pessoas vacinadas estejam 100% livre do risco de adoecimento, mesmo após completar as doses preconizadas para o imunizante. Por isso, é importante que as orientações preventivas preconizadas pelos órgãos competentes sejam cumpridas para evitar o contágio e a disseminação do novo Coronavírus.

“É muito importante a continuidade de medidas de biossegurança, tais como o uso de máscara, lavagem das mãos com água e sabão, higienização das mãos com álcool gel 70%, e o distanciamento social”, orienta o infectologista.
Sobre a proteção contra o vírus por meio de vacinas, ainda de acordo com o médico, as utilizadas no momento no Brasil, fica entre 50% e 70%, ou seja, mesmo entre os corretamente vacinados, 3 a 5 em cada 10 pessoas, se expostas ao vírus, poderão desenvolver doença.

“A diferença ao contrair a doença após a vacinação, é que os sintomas serão menos intensos, e com risco de morte menor que os 3%, que temos hoje, como taxa de mortalidade geral, para muito menos de 1%. Embora seja uma excelente tática para controle da epidemia, deve obrigatoriamente ser acompanhada das medidas já bem conhecidas para evitar a Covid-19: volto a repetir é importante higienização frequente e rigorosa das mãos, distanciamento social e uso de máscaras, especialmente quando em ambientes fechados”, reforça.

Sobre a previsão do fim do uso de métodos preventivos, o médico informa que apenas quando a população estiver amplamente vacinada e os mecanismos dessa imunidade forem esclarecidos, será possível reavaliar a efetividade ou não de manter as medidas de distanciamento social para a proteção individual, mas, por enquanto, elas ainda são valiosos aliados na prevenção da Covid-19.

Além das incertezas sobre a imunização, com relação à reinfecção, conforme informou o especialista, “é importante salientar que os casos confirmados no mundo são raríssimos, em parte devido a subnotificação, já que para confirmar reinfecção é necessário que tenha sido feito sequenciamento genético nos dois episódios de doença. Entretanto, alguns especialistas internacionais demonstraram a possibilidade de reinfecção entre 10 a 15% dos pacientes, de acordo com estudo publicado na prestigiada revista médica The Lancet em Abril de 2021”.

Os motivos relacionados às reinfecções, de acordo com o estudo citado pelo médico, seriam a incapacidade de algumas pessoas de produzir defesas (anticorpos, imunidade celular, etc), em quantidade suficiente para impedir os novos quadros; especulá-se também, que quadros assintomáticos gerem menor produção de defesas e, consequentemente, maior risco de reinfecção pelo SARS COV-2.

Uma outra possível causa das reinfecções seria a circulação de cepas com diferenças estruturais significativas em relação a da primeira infecção, sendo o que facilitaria o “escape” do vírus da imunidade produzida no primeiro episódio.

“Com base nos motivos expostos, podemos inferir que pessoas com enfermidades debilitantes, tais como câncer, doenças imunológicas ou em uso de medicamentos que causem redução da resistência (imunossupressores, corticoides em doses elevadas e por tempo prolongado) têm o sistema imune mais frágil e consequentemente maior risco de reinfecção”, conclui o infectologista.

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