Foto: Reprodução/Globo

Felipe Prior, último eliminado do Big Brother Brasil 20, está sendo acusado de ter cometido dois estupros e de ter tentado um terceiro. As acusações foram reveladas à Revista Marie Claire nesta sexta-feira, 03.

Os nomes das vítimas não foram revelados, por isso, a reportagem utilizou pseudônimos. O primeiro caso ocorreu em agosto de 2014, quando Themis e uma amiga aceitaram uma carona de Felipe após uma festa dos jogos universitários das faculdades de arquitetura e urbanismo de São Paulo (InterFAU).

Após deixar a amiga, o relato de Themis diz que Prior parou o carro, desligou e começou a beijá-la. Ele a puxou para o banco de trás, tirou sua roupa, abriu a calça, deixando seu genital para fora. Themis disse às advogadas, constando na denúncia protocolada no Departamento de Inquéritos do Fórum Central Criminal, que estava “bastante alterada” pelo consumo de bebida alcoólica e que não teve força física para impedir as ações de Prior, contudo, falou várias vezes que não queria ter relações sexuais. De acordo com o depoimento, Felipe gritou dizendo “para de ser fresca, no fundo você quer, não é hora de se fazer de difícil” e realizou o ato sexual sem o consentimento de Themis.

Ela contou que a violência foi intensa que causou uma laceração em seu lábio vaginal esquerdo, o que fez com que sangrasse. A dor fez com que Themis começasse a chorar e isso fez com que Prior tenha parado, acredita.

Ele perguntou se ela queria ser levada ao hospital mas Themis respondeu que queria ir para casa, ele a deixou no portão de sua residência e foi embora.

No documento protocolado consta que houve “um corte de cerca de três dedos de comprimento na região genital, profundo o suficiente para chegar até o músculo”. Themis precisou usar fralda geriátrica para conter o sangramento. No atendimento hospitalar, as médicas perguntaram quem tinha feito aquilo e ela respondeu que havia sido um namorado.  Themis relata que ficou uma semana de cama, precisando de ajuda para andar e ir ao banheiro, e que teve dificuldades de abordar o assunto ao tentar começar terapia psicológica e que teve crises de pânico, e flashes do estupro.

À Marie Claire, Themis disse que colocou a violência debaixo do tapete por seis anos. “Achei que não lidando com ela, sumiria em mim. Atrasei dois anos da minha faculdade por causa do estupro. Tranquei todas as matérias do curso porque vê-lo todos dias era torturante. Ele é um cara impulsivo, agressivo. O que mostrou no BBB não chega perto do que é na vida real. Tenho medo do que pode fazer, mesmo diante de uma acusação formal, com advogada e tudo. Mas não posso mais guardar esse mal para mim”, afirmou.

Segunda acusação

Já nos jogos InterFAU de 2016, no município de Biritiba Mirim, Felipe teria praticado o crime de tentativa de estupro contra a estudante Freya (também pseudônimo).

De acordo com ela, estava embriagada e foi persuadida por Prior a entrar na barraca de camping dos jogos, também após uma festa. Ela relata que Felipe tentou penetrá-la no ânus, por duas vezes, e como disse que “não”, ele a conteve fisicamente.

Freya diz que o estupro não ocorreu porque o empurrou usando os braços e pernas e conseguiu fugir. Ela diz que percebeu que não havia camisinha e se recusou a continuar a relação mas ele insistiu.

“Quando começou o BBB, vi um tuíte de uma garota que dizia que o Felipe tinha fama de assediador no Mackenzie. Foi quando entendi que a violência que sofri não era única. Mandei uma mensagem para garota e disse a ela que se aparecessem mais vítimas, me manifestaria. Dessa forma encontrei Themis, que me contou que além do estupro, tinha um boletim médico comprovando a laceração em seu genital”, disse Freya à Marie Claire.

Terceiro caso

Nos jogos InterFAU de 2018, dessa vez em Itapetininga, a história é parecida. Ísis (pseudônimo) estava embriagada e Felipe a convidou para entrar na sua barraca, onde iniciou a relação sexual consentida. Contudo, Prior passou a agir de maneira agressiva e Ísis verbalizou que queria parar, mas não foi o suficiente.

De acordo com o que consta no documento, o acusado desferiu tapas no rosto e por todo o corpo de Ísis, mesmo ela informando que estava sentindo dor e que queria parar. Ela chegou a chorar mas ele disse diversa vezes que não a deixaria sair dali. Ela apenas conseguiu sair da barraca depois que Prior dormiu.

Na barraca ao lado, duas testemunhas escutaram o choro e o pedido. “Uma voz feminina chorando. A voz dizia ‘Para, tá me machucando' e continuava chorando”. Essas testemunhas sustentam a versão de Isis na acusação.

Proibição

Os casos ocorridos durante os jogos universitários fez com que a comissão organizadora do InterFAU deliberasse pelo impedimento do acesso de Felipe Prior ao ambiente dos jogos universitários, decisão tomada ainda em outubro de 2018.

Queixas

Apesar do histórico, até a entrada de Felipe no BBB, não havia queixa formal contra ele. As denúncias começaram a aparecer em janeiro.

“Esse trabalho começou no final de janeiro, a partir da conversa com a primeira vítima. Conforme tivemos informações sobre a existência de outras, percebemos que, para que os fatos fossem relatados com a devida profundidade e complexidade, teríamos que fazer uma investigação defensiva abrangente. E assim chegamos à segunda e à terceira vítima e às demais testemunhas. Tivemos inclusive notícia de pelo menos uma outra, que acabou preferindo não depor”, diz a advogada das três mulheres, Maira Pinheiro.

Sobre delas não terem registrado boletim de ocorrência no período que ocorreu, Maira diz que: “Precisamos entender que lidamos com vítimas reais e não ideais. Acompanhando esse tipo de caso cotidianamente, percebemos que infelizmente é comum que entre a ocorrência da violência e a decisão de denunciar, passe um certo tempo. Isso tem a ver com o tratamento revitimizador que muitas dessas mulheres recebem junto às instituições, a falta de apoio de amigos e familiares e, de maneira geral, com a cultura do estupro, que normaliza situações de violência sexual e não cultua a valorização do consentimento. Todas as vítimas relataram sentimentos de culpa após os fatos. Isso é emblemático, pois revela como, diante desse tipo de caso, o senso comum tende a focar mais numa suposta ‘responsabilidade' da vítima em não ser capaz de evitar os atos do agressor”.

A defesa das mulheres entrou com um pedido de medidas cautelares para que Felipe fosse proibido de manter contato com as vítimas e testemunhas por qualquer meio de comunicação, inclusive por meio de terceiros e internet. A solicitação foi acolhida pela Promotoria de Justiça do Estado de São Paulo e aguarda julgamento.

A revista Marie Claire diz que tentou contato diversas vezes com a assessoria de imprensa de Felipe Prior, que ainda houve um retorno informando que faria contato com a família do ex-BBB, mas até o fechamento da reportagem não houve retorno.

Sobre as acusações contra o participante, a Rede Globo informou à reportagem o seguinte: “A Globo é veementemente contra qualquer tipo de violência, como se percebe diariamente em seus programas jornalísticos e mesmo nas obras do entretenimento, e entende que cabe às autoridades a apuração rigorosa de denúncias como estas”.

No Brasil, o crime de estupro consta no artigo 213 do Código Penal.

Fonte: Marie Claire

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