Foto: Divulgação

Casos de transmissão intrauterina da covid-19, entre grávidas soropositivas e seus bebês, são raros, dizem especialistas após a divulgação de um estudo francês que sugere a capacidade do Sars-Cov-2 de atravessar a placenta. Na terça-feira, 14, um artigo publicado pela revista “Nature Communications” descreveu um caso em que o novo coronavírus foi encontrado no sangue de um bebê prematuro na França. A mãe, de 23 anos, foi diagnosticada com a doença em março.

A detecção do vírus no tecido placentário, assim como no sangue da mãe e do bebê, sugere que “a transmissão transplacental do Sars-CoV-2 pode ser possível”, escreveram os médicos. Eles reconheceram, entretanto, a necessidade de mais estudos para confirmar esta hipótese.

Marian Knight, professora da Universidade de Oxford, no Reino Unido, disse à agência Reuters que esta não deve ser “uma grande preocupação para as mulheres grávidas”. Segundo ela, ainda não está claro se o vírus consegue passar pela placenta.

A placenta é o primeiro órgão a se formar no desenvolvimento fetal e tem funções análogas às dos pulmões, intestinos, rins e fígado. É a partir dela que o feto absorve oxigênio e nutrientes da corrente sanguínea da mãe.

“Entre os milhares de recém-nascidos de mães infectadas pelo Sars-CoV-2, pouquíssimos foram diagnosticados com o vírus, cerca de 1% a 2%” – Marian Knight, professora da Universidade de Oxford

Já o professor de obstetrícia do King's College de Londres, Andrew Shennan, disse ser é raro que os recém-nascidos peguem covid-19 de suas mães. Ele citou dados de um estudo inglês que avaliou 244 mães infectadas, em que 95% dos bebês não apresentou nenhum sinal do vírus.

Entretanto, pesquisadores norte-americanos identificaram lesões na placenta de 16 grávidas diagnosticadas com a covid-19. Um artigo publicado em abril pela revista “American Journal of Clinical Pathology” não apontou riscos para o feto, mas alertou para alterações na função do órgão.

“A maioria dos bebês nasceram sem nenhuma complicação, após gestações normais”, disse em nota Jeffrey Goldstein, professor da Northwestern University e um dos autores do estudo. “[a lesão] Não pareceu induzir resultados negativos nos nascimentos, com base em nossos dados que são limitados.”

Os cientistas defendem que grávidas sejam monitoradas clinicamente durante a pandemia.

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Para a professora de obstetrícia, Emily Miller, o monitoramento das grávidas tem que ser reforçado para garantir que os fetos se desenvolvam de maneira saudável.

“Não quero desenhar um cenário assustador, mas essas descobertas me preocupam”, disse Miller. “Saber que a covid-19 pode causar alterações na placenta traz algumas implicações bastante significativas para a saúde de uma gravidez.”

Sem transmissão vertical

Até o momento, além do estudo francês, não há registro de transmissão da covid-19 entre mães grávidas e seus bebês. Um artigo publicado na revista “Frontiers in Pediatrics”, trouxe a análise de quatro mães que estavam infectadas pelo vírus e que deram à luz em um hospital de Wuhan, cidade chinesa que foi o primeiro epicentro da doença.

De acordo com o artigo dos pesquisadores, nenhum dos bebês desenvolveu os sintomas da doença, como febre ou tosse, embora eles tenham sido isolados em unidades de terapia intensiva e tenham sido alimentados com fórmula. Três dos quatro recém-nascidos fizeram o teste para o coronavírus e o resultado foi negativo. Uma das mães não autorizou que o exame fosse feito.

Por G1

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