Sem asfalto e sem saneamento básico, é difícil a rotina dos moradores de uma comunidade em Belém. “Quando está muito cheio, quando chove, eu tenho que levar minhas roupas e meu sapato em uma sacola e me arrumar no meu trabalho, no escritório, porque é muito difícil passar por aqui”, relata a auxiliar de escritório Dalva Gomes.

A moradora reconhece que o voto tem força para mudar a realidade como a do bairro onde vive, mas conta que nem lembra em qual vereador votou na última eleição. Pela primeira vez, ela  foi até a Câmara Municipal de Belém. Dalva nem sabia o endereço do fórum, que é mantido com o dinheiro dos impostos que ela paga. “Eu não sei como funciona, não sei para onde vão os impostos, os recursos, o que é feito, o que é investido. Às vezes fico sabendo se meu candidato foi eleito, mas não o acompanho, não sei o que ele faz”, afirma.

São os vereadores que elaboram e aprovam as leis de interesse do município. Eles estão na câmara para debater interesses fundamentais da cidade, e encontrar soluções para os problemas que afetam o ambiente urbano e apresentar projetos que realmente trazem benefícios para a população.

Qualquer pessoa também pode participar das discussões e dar sugestões. A casa é do povo e o cidadão tem livre acesso dentro da Câmara. “O cidadão pode mandar e-mails diretamente para a câmara municipal, pode se comunicar diretamente com o vereador, pode fazer abaixo-assinados, pode vir até a câmara se manifestar, pedir para falar com as assessorias, comissões, vereadores, ou seja, participar ativamente”, explica o procurador da Câmara, Geraldo Paixão.

O vereador é eleito para ser o porta-voz da população. A ponte entre a sociedade e o prefeito. Dos representantes do legislativo, o vereador é quem está mais próximo do eleitor, e é quem as pessoas devem procurar para falar sobre o dia-a-dia da sua comunidade e cobrar soluções para os problemas. “O vereador tem quem estar próximo da sociedade, ouvindo o que ela precisa, e dentro da Câmara, com os seus pares, planejando, influenciando o governo para utilizar a verba em bons projetos”, explica o cientista político Roberto Correa.

O número de vereadores de cada Câmara varia de acordo com a população. Eles também precisam estar preparados para fiscalizar como o prefeito, o vice-prefeito e os secretários gastam o dinheiro com os impostos. O objetivo é garantir que essa verba ajude a melhorar a escola, os hospitais e a cidade como um todo.

Correa comenta que o importante é escolher o vereador que é competente, que está preparado para exercer esta função, que é um impacto entre o governo municipal e sociedade. “Aquele que vende seu voto está renunciando à melhoria na educação dos filhos. Porque o dinheiro que aparece fácil, é subtraído de recursos públicos, através de superfaturamento e outros esquemas da cultura da corrupção”, conta.

Presidente de uma associação de moradores, Domingos Pantoja vive em uma área carente e é um cidadão atuante. Ele já sabe que quando se tem disposição para fiscalizar o trabalho dos políticos eleitos, quem ganha é a comunidade. “Exercemos nosso papel através de abaixo-assinados e manifestações que nós fazemos diretamente nas sessões da Câmara. Não apenas eu, mas todos os moradores precisam estar acompanhando o exercício deste político que elegemos para nos representar. E eles precisam contribuir, trazendo políticas sociais para as comunidades”, relata Pantoja.

Agora, a moradora Dalva entendeu que não basta só votar. “A partir de agora, pretendo mudar, acompanhar as sessões e ficar sabendo quais são os meus direitos, como posso cobrá-los e exigir melhorias para o meu bairro”, diz.

Mas antes de ir às urnas analise bem as propostas dos candidatos, para escolher aquele que melhor represente os interesses da população.

 

 

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