As incertezas diante pandemia têm afetado a vida das pessoas. Mesmo com a reabertura gradual em algumas cidades, ainda não há vacina nem tratamentos garantidos para quem desenvolve a Covid-19. Essa instabilidade causou demissões e queda de faturamento de empresas, empreendedores e trabalhadores informais.

Para entender melhor esse cenário, o Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube) fez a seguinte pergunta aos jovens: “a crise causada pelo coronavírus afetou sua saúde e bem-estar?”

O estudo foi realizado entre os dias 25 de maio e 5 de junho, com 13.902 participantes de todo o país de idade de 15 a 29 anos. O resultado demonstrou impactos no emocional das pessoas. A maioria dos pesquisados (31,57% ou 4.389) afirmou: “sim, fiquei mais ansioso e inseguro”.

Na visão de Marianne Lisboa, recrutadora do Nube, em um período como esse, é preciso respeitar as limitações de quais coisas estão em nosso controle e entender os aspectos situados fora dele. “Além disso, não existe uma receita para enfrentar essa situação, mas podemos refletir sobre quais objetivos são possíveis nesse momento e criar estratégias para eles. Também faz parte compreender: algumas coisas serão adiadas”, orienta.  

Ela deixa algumas dicas para ajudar a vencer o sentimento, como ajustar a rotina de sono, ter atenção maior com a alimentação e encaixar na jornada alguma atividade prazerosa.

“Vale também escolher uma ocasião do dia para informar-se por meios de comunicação confiáveis, mas delimitar um tempo para isso. Pode ser um hábito saudável para não passar o dia todo chateado em decorrência do conteúdo das notícias. Se ainda assim o incômodo permanecer, procure a escuta profissional de um psicólogo para ajudar nas estratégias individuais”, ressalta Marianne. 

Outros 26,21% (3.644) colocaram: “um pouco, meu humor se altera constantemente”. Segundo a especialista, isso acontece por causa da falta de respostas em relação ao futuro. “Tudo isso costuma gerar uma sensação de frustração, uma das principais causas do mau gênio.

Para fugir um pouco dessa condição, é necessário entender o real motivo da chateação naquela hora e quais atitudes podem ser tomadas para melhorar esse contexto. Contudo, respeite o seu momento e não se force a situações desconfortáveis; pratique alguma técnica de relaxamento e retome aos poucos suas tarefas”, indica a selecionadora. 

A resposta de 18,29% (2.543) dos jovens foi: “não, pude dedicar mais tempo a atividades físicas”. Essa ação sempre está entre as recomendações médicas para diversos problemas de saúde. “Além do condicionamento muscular, é importante para ajudar na auto regulação do nosso corpo, estimular a produção de hormônios e neurotransmissores para gerar satisfação e também influenciar hábitos relacionados à organização da rotina e autocuidado”, pontua Marianne. 

Uma parcela de 12,10% (1.682) declarou: “muito, me sinto mais depressivo e desanimado”. Para a especialista, isso é natural em uma crise de tamanha dimensão, a qual provoca dúvidas e adiamentos. “Esse estado de alerta constante nos modifica até mesmo fisiologicamente, aumentando por exemplo as substâncias responsáveis por nos manter atentos.

No entanto, não podemos ser guiados exclusivamente por esses sentimentos. É produtivo buscar o autoconhecimento para assim reconhecermos também nossas potencialidades e identificarmos possíveis estratégias para lidar com a realidade”, analisa.

Vale lembrar a importância de respeitar seus próprios limites. “Técnicas como a de meditação, yoga entre outras são bons caminhos para iniciar e ajudar a relaxar um pouco em meio a tantas preocupações”, indica a recrutadora. 

Por fim, 11,83% (1.644) observaram: “pelo contrário, diminuí o ritmo e isso me deixou muito melhor”. Nas grandes capitais, associamos muito o alto nível de estresse e correria ao tempo perdido no deslocamento. “Por outro lado, essa percepção pode se tornar relativa caso no ambiente de home office se assuma o modo multitarefas, como acontece com muitas mães, por exemplo.

O fato de poder acordar um pouco mais tarde e não se preocupar se vai conseguir chegar no horário planejado tira um peso de nossas costas, mas também impõe uma transformação dos espaços e das relações de trabalho”, finaliza a especialista.

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