A 198 anos o Brasil se tornou independente de Portugal. Isso quer dizer que passamos de uma colônia controlada por outro país, para uma nação livre e autônoma em suas decisões. Desde então, o dia 7 de setembro tem sido comemorado como a data que marca a proclamação dessa independência. É também, um momento que mexe com os sentimentos das pessoas mais patriotas.

Apesar disso, este ano não veremos os tradicionais desfiles de comemoração, realizados pelas Forças Armadas. Isso por causa dos efeitos da pandemia da Covid-19, que tornam esse tipo de evento não recomendável pelas autoridades sanitárias, devido ao risco de contaminação pois geram aglomerações de público – e consequentemente aumentam as chances de transmissão da doença.

Para o médico infectologista Hemerson Luz, do Hospital das Forças Armadas em Brasília, qualquer forma de aglomeração deve ser desencorajada porque apesar de as máscaras reduzirem o risco de contaminação, “elas não evitam 100% pois estamos falando de máscaras de pano. Com o tempo elas podem ficar umidificadas e, com isso, favorecer a contaminação. Estamos falando, também, de pessoas que não têm o hábito de usar máscara por longos períodos e, com isso, as chances de manipular a mesma de forma errada ou tirar do rosto aumentam a chances de contaminação”, explicou.

Com a devida preocupação, o Ministério da Defesa promulgou a Portaria Nº 2.621/2020, que determina aos Comandantes da Marinha do Brasil, do Exército Brasileiro e da Força Aérea Brasileira que orientem suas respectivas Forças para se absterem de participar de quaisquer eventos comemorativos referentes à semana da Pátria com evento como desfiles, paradas, demonstrações ou outras que possam causar concentração de pessoas.

Independência X Democracia

Um ponto importante de se destacar é a diferença entre os conceitos destas duas palavras, uma vez que são usadas erroneamente como sinônimos, principalmente neste contexto comemorativo. Para isso, vamos usar como base o conceituado dicionário Houaiss, por sua tradição no estudo da língua portuguesa.

A independência é a liberdade e autonomia política conquistada pela luta de um país frente à submissão ou servidão imposta por outro. Em contrapartida, a democracia é um sistema de governo comprometido com a igualdade em que o povo exerce a soberania. Em 7 de setembro de 1822, o Brasil deixou de ser governado por Portugal mas continuou o regime de monarquia.

Apesar dessas comemorações de independência, para o professor Marcos Ianoni, do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense, o brasileiro não possui uma tradição nacionalista e uma cultura cívica acentuada

“Eu diria que tem uma certa importância para o país, independente do regime político, mas não é uma importância tão grande se comparado aos Estados Unidos. Lá o dia da independência tem um sentido maior, pois eles fizeram uma revolução. No Brasil não houve uma revolução de independência, como também houve em outros países aqui da América Latina. A comemoração no Brasil tem ficado mais restrita ao governo federal e às Forças Armadas do que efetivamente a população”, explicou.

Um ponto que corrobora com a explanação do professor Ianoni é o fato de que o dia 7 de setembro se tornou feriado nacional apenas a partir da publicação da Lei Nº 662, de abril de 1949, quando o presidente brasileiro era um militar: o general Eurico Gaspar Dutra.

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