Dúvidas e receios pesam no horizonte de muitos brasileiros que dependiam do auxílio emergencial para pagar as contas em meio ao cenário de crise provocado pela pandemia da Covid-19. A última parcela da ajuda financeira do ciclo 6 (quem recebeu desde quando o programa foi implantado) foi paga mês passado.

Até o momento não há qualquer indicativo de que o Governo Federal irá prorrogar o programa e continuar ajudando as famílias de baixa renda. Somente na Região Metropolitana de Belém (RMB), por exemplo, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são 551 mil trabalhadores na informalidade.

Jocivaldo Monteiro
Jocivaldo Monteiro Celso Rodrigues/Diário do Pará

Jocivaldo Monteiro, 45 anos, trabalha vendendo água, sucos e refrigerantes no centro comercial de Belém desde que tinha dez anos de idade. Mora no bairro do Parque Guajará e chegou a se inscrever no programa do auxílio emergencial, mas não conseguiu receber nenhuma parcela do auxílio.

O cadastro dele não foi aprovado nas vezes em que tentou. Quem o ajudou foi a esposa. “Ela conseguiu receber e sustentar a casa no período mais crítico”, disse. “Eu não deixei de trabalhar, mas em maio, quando teve o lockdown, a coisa ficou crítica. Eu tentava vender qualquer coisa e, às vezes, não conseguia nem o da passagem de ônibus”, lembrou.

“Já enfrentei muita coisa nessa vida, mas uma pandemia e todas as dificuldades que ela trouxe, jamais tinha imaginado. Nunca vi nada parecido”, desabafou. Ele não acredita que o auxílio emergencial será prorrogado.

PREOCUPAÇÃO

Está preocupado sobre como vai ficar o sustento da família agora que está acabando o pagamento das parcelas e a única fonte de renda é a venda de água e bebidas.

“O governo pode até usar a compra das vacinas como motivo para não querer continuar pagando. Eu só conseguia vender algo aqui pelo comércio justamente nos dias de pagamento do auxílio emergencial que é quando as pessoas tinham algum dinheiro para comprar água”, ressaltou Jocivaldo.

Falta de pagamento eleva clima de incerteza

Denise Pavão, 20, está grávida de 5 meses e sem poder trabalhar. O marido está desempregado. O casal tinha no auxílio emergencial a única fonte de renda para garantir o sustento e comprar os produtos necessários para a criança que vai nascer. Pela data de aniversário dela, deveria ter recebido o auxílio no último dia 29 de dezembro, mas, ao chegar na agência da Caixa Econômica Federal, descobriu que a ajuda financeira não foi depositada. “Eu olhei no aplicativo (Caixa Tem) e não tinha saldo. Vim aqui para tentar receber ou saber o que estava acontecendo, mas o atendimento já tinha encerrado e eu não recebi. Não sei o que houve”, disse.

O companheiro dela já está à procura de emprego, mas ainda não conseguiu nenhuma oportunidade. “Eu queria pelo menos uma informação para poder saber quais providências tomar e o que posso ou não fazer”, disse Denise.

Maria Lopes
Maria Lopes Celso Rodrigues/Diário do Pará

A vendedora ambulante Maria Lopes, 44, se viu obrigada a voltar a trabalhar nas ruas depois que teve o pagamento do auxílio emergencial suspenso. “Até hoje eu não entendi o que aconteceu porque eu só recebi até a quarta parcela”, comentou. A mulher vende água na esquina da avenida Presidente Vargas com a Rua Santo Antônio. “É aqui que consigo vender alguma coisa, mas fico exposta porque todo dia é um monte de gente transitando por aqui, pessoas sem máscaras”, relatou.

“Mas eu não posso deixar de trabalhar. O dia que eu não vendo, não tenho dinheiro. Preciso comer, pagar as contas. É a batalha de todos os dias, que agora está mais difícil por causa desse vírus (coronavírus)”, desabafou Maria. Questionada se não procurou saber o motivo do auxílio dela não ter sido pago, ela não soube explicar. “Só quem continuou recebendo foi a minha filha. Ela quem me ajuda porque moro com ela”.

PROGRAMA

Sobre esperar a possível continuidade do programa, a vendedora não acredita mais nessa possibilidade. “O governo já disse que não vai prorrogar o pagamento do auxílio. É como estão dizendo: Eu que lute! E é isto que estou fazendo. Batalhando para ter o meu pão de cada dia. Nem sempre consigo”.

Algumas pessoas ainda têm parcelas para receber. A última liberação para o saque em dinheiro ocorreu no dia 19 de dezembro, para os nascidos em janeiro e fevereiro. Já a próxima liberação de saque está agendada apenas para o ano que vem, no dia 04 de janeiro de 2021, para os nascidos em março.

Diário Online

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