Janilson Silva dos Anjos, de 29 anos, da etnia Sateré-Mawé, viralizou nas redes sociais ao mostrar sua rotina como estudante de medicina na Universidade Federal do Pará (UFPA), em Altamira. Em 2025, ele conquistou o 1º lugar no processo seletivo especial para indígenas.
Natural da comunidade Aninga, em Boa Vista do Ramos, no interior do Amazonas, Janilson relatou que caminhava cerca de 8 km por dia para chegar à escola e enfrentava a falta de materiais escolares, muitas vezes recebidos por meio de doações de professores.
A família vivia da agricultura familiar e da pesca, e ele ajudava os pais na venda de banana, farinha e peixe para comprar o próprio material escolar. A falta de acesso à saúde e a perda de um irmão para a malária também marcaram sua infância.
Sem condições de pagar cursinho ou ter internet em casa, estudou sozinho durante seis anos, dedicando entre duas e quatro horas por madrugada até conquistar a vaga em medicina.
O interesse pela profissão surgiu após acompanhar um tio em busca de tratamento contra o câncer em Manaus.
Ao descobrir a aprovação, Janilson acreditava ter sido reprovado, pois consultou a lista do processo seletivo geral. A confirmação veio durante a transmissão da UFPA, quando ouviu seu nome ser anunciado em primeiro lugar no processo seletivo especial para indígenas.
