Morro do Cantagalo – Copacabana, Rio de Janeiro (foto: William Santos)

Principal programa de transmissão de renda no Brasil, o Auxilio Brasil foi reajustado a partir de agosto de R$ 405 para R$ 600 até o final do ano. O aumento, no entanto, não consta na Lei de Diretrizes Orçamentárias do atual governo para o ano que vem. Seu futuro no valor de R$ 600, portanto, é incerto. Esse cenário tem sido acompanhado pelo site Central da Pauta e por toda a imprensa, que identifica no programa sua importância social.

O auxílio começou a ser pago durante a pandemia causada pelo novo coronavírus e se manteve no calendário de benefícios do atual governo. Em agosto, mais 2,2 milhões entraram na folha de pagamento, somando 20,2 milhões de famílias contempladas no país.

Agora, o Auxilio Brasil faz parte da vida do brasileiro. E não ache que a verba recebida pelas famílias serve para comprar supérfluos ou besteiras do dia-dia. Pelo contrário: o dinheiro serve para comprar o mais importante, que é a comida.

Entre as informações coletadas pela pesquisa Datafolha divulgada na semana passada em conversa com os brasileiros, os dados mostraram que 76% das famílias no país usam o dinheiro do benefício prioritariamente para comprar seus alimentos e fazer as refeições básicas.

Ainda assim, a inflação em alta e o constante aumento no valor dos alimentos tem empurrado uma porção do país para a insuficiência alimentar, como mostra o Datafolha.

Para um quarto (27%) do total da amostra do Datafolha, a quantidade de comida em casa foi insuficiente. O percentual representa uma queda ante o observado no fim de julho (32,6%), mas ainda acima do registrado em junho (25,9%), e é o segundo mais alto da série iniciada em maio.

Apesar dos dados, membros do governo negam a situação fome em algumas cidades e estados do país. Na semana passada, o atual ministro da Economia, Paulo Guedes, disse em um evento em São Paulo que “​​a tática política é de barulho: 33 milhões de pessoas passando fome. É mentira, é falso. Não são esses os números.”

A pesquisa do Datafolha também mostrou que o auxílio tem tido outros destinos. Cerca de 11% responderam que o principal uso do benefício é para pagar dívidas; 6% para comprar remédios; 2% para comprar gás; e 5% deram outras respostas.

A pesquisa ouviu 6.754 pessoas, entre 20 e 22 de setembro, em 343 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. O código da pesquisa na Justiça Eleitoral é: BR-04180/2022.

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