Um estudante da Universidade Federal do Pará (UFPA) foi vítima de transfobia dentro da instituição. Em um documento assinado pela própria vítima, Heitor Batista da Conceição, afirma ter sofrido violência física e verbal dentro de um banheiro no Complexo do Vadião, espaço de convivência dentro da UFPA.
O caso ocorreu na última quarta-feira, 19, por volta das 21 horas, mas só veio a público nesta segunda-feira, 24, depois que o Sindicato dos Trabalhadores Técnico-administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior no Estado do Pará (Sindtifes) divulgou uma nota de apoio ao estudante e o documento assinado por Heitor.
“Um rapaz alto, branco, vestindo bermuda jeans e camisa branca impediu a minha entrada no box, afirmando que o banheiro feminino ficava do outro lado. Eu respondi que era homem trans e ele riu, debochando, e falou ‘já que você é macho, então aguenta a porrada’ e em seguida deferiu dois socos em mim, um no peito e um na costela”, relatou o estudante no documento endereçado ao diretor adjunto do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), Giovane Mota.
As agressões teriam sido testemunhadas por quatro pessoas que não tentaram impedir. Essa não foi a primeira vez que o estudante sofreu agressões dentro da UFPA. Em 2018, também no Vadião, ele já havia sido impedido de entrar no banheiro masculino. Na época ele teria procurado o Diretório Central dos Estudantes (DCE), mas não foram tomadas providências.
Dessa vez, Heitor pede que a UFPA adote medidas para impedir que crimes desse tipo continuem ocorrendo dentro da instituição. “Eu saí chorando e procurei os alunos de Ciências Sociais, com quem eu estava. Fiquei tão abalado com o ocorrido que não pude tomar as medidas necessárias naquele momento”, escreveu.
SOLIDARIEDADE
Por meio de nota, o Sindtifes manifestou solidariedade ao estudante e também cobrou providências contra a violência sofrida pelo público LGBTI dentro da UFPA. “Não é a primeira vez que uma pessoa é vítima de violência transfóbica nas dependências da UFPA.
Repudiamos o fato e exigimos da Administração Superior que tome todas as medidas administrativas, políticas e pedagógicas necessárias ao enfrentamento desta problemática tão grave que é a discriminação e a violência contra os segmentos sociais historicamente oprimidos em nossa sociedade, como a população LGBTI”, disse.
Fonte: Roma News
