A Polícia Civil prendeu cinco pessoas foram acusadas de envolvimento na morte de Diego Kolling (PSD), prefeito de Breu Branco, morto no dia 16 de maio quando pedalava de bicicleta. De acordo com as investigações o mandante foi Ricardo Pessanha, presidente do diretório municipal do PSD. Antônio Genivaldo Lima Moura foi o autor dos disparos. Foram 73 dias de investigação para que a Polícia Civil, com apoio da Polícia Militar, chegassem à conclusão: a execução do então prefeito, conhecido como “Alemão”, teve motivação financeira.
O delegado geral, Rilmar Firmino, explica que Ricardo fez a campanha de Diego. Em troca, queria que as licitações do município fossem vencidas por empresas indicadas por ele. Os contratos seriam superfaturados e enriqueceriam, ilicitamente, todos os envolvidos no esquema. Assim que foi aberta uma licitação para transporte escolar, Ricardo, conhecido como “Chegado”, participou com uma empresa laranja.
Diego então acabou anulando a licitação que Ricardo venceria. O então prefeito não concordou com os termos e a desavença começou. Foi então que Ricardo elaborou o plano para matar Diego. O executor, Genivaldo (foto abaixo), era tratorista do presidente municipal do PSD. O atirador garantiu que foi o único homicídio que cometeu. Foi ele quem entregou Ricardo, que negou ser mandante da execução.
Durante a operação, foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva. Ricardo foi preso na fazenda de um amigo, na zona rural de Breu Branco. Genivaldo foi preso na zona rural de Goianésia do Pará. Os outros três presos não tiveram nomes revelados, mas foram capturados em Breu Branco. Eles deram apoio à execução do crime, como monitoramento, transporte ou informação.
Dez mandados de condução coercitiva foram cumpridos também, sendo três deles em Belém. Os alvos eram familiares de Ricardo.
Também foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão. A documentação e depoimentos estão sendo analisados. Para o delegado Eduardo Rollo, da Divisão de Homicídios, a documentação é relevante para o caso e pode trazer novas informações à tona.
“Foi uma das melhores investigações que já fizemos, com muitas provas materiais, técnicas, periciais e testemunhais. Esse é um tipo de crime que atenta contra a própria democracia. Um representante do povo foi morto porque não compactuava com os interesses ilícitos de outras pessoas. E o que é pior: o sangue frio do mandante é tanto que estava no enterro, chorando com a família da vítima. Na semana passada, ele venceu uma licitação do município, dessa vez com outra empresa laranja”, declarou Rilmar. Essa licitação deverá ser investigada pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA).
LIGAÇÕES
Para o delegado geral, ainda é cedo para estabelecer um elo entre a execução do prefeito Diego Kolling, em Breu Branco, e do prefeito Jones William (PMDB), de Tucuruí, nesta semana. Contudo, Jones William estava sendo investigado pelo MPPA por favorecimento de um único empresário de Tucuruí em licitações diversas. O prefeito, assassinado no último dia 25, chegou a ter os bens bloqueados pela Justiça.
Porém, não há qualquer elo entre o caso de Breu Branco com o assassinato do prefeito de Goianésia, João Gomes da Silva (“Russo”, do PR), em janeiro de 2016. Esse caso, segundo Rilmar, já está elucidado. A morte dele foi encomendada por um vereador, José Ernesto da Silva Branco (PHS), para evitar a vitória de João como prefeito. O executor do crime foi preso. Pouco tempo depois, Ernesto é morto. O assassino também foi preso. No entanto, o mandante do crime ainda não foi capturado.
“Tanto a investigação do caso de Breu Branco quanto a de Tucuruí têm um objetivo: restauração do estado democrático de direito. Estamos confirmando que o Estado está presente e atuando. Vamos elucidar o assassinato do prefeito de Tucuruí como elucidamos a morte do prefeito de Breu Branco. Todos os culpados serão entregues à Justiça”, declarou o secretário Jeannot Jansen, titular da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup).
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