Segundo delegado, não há desaparecidos do acidente ocorrido na madrugada, onde 12 pessoas morreram e 50 foram resgatadas com vida.

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Resgate de vítimas do naufrágio (Foto: Agência Pará)

A Polícia Civil autuou em flagrante, por homicídio doloso (dolo eventual), o comandante do barco-motor “Leão do Norte”, Luís Acácio da Silva Lima, 42 anos, por assumir o risco do naufrágio da embarcação, que foi a pique, na noite de ontem, em Cachoeira do Arari, na ilha do Marajó, causando 13 mortes confirmadas até o momento. O procedimento de prisão em flagrante foi lavrado pelo delegado Arilson Caetano, superintendente regional dos Campos do Marajó, responsável pela Unidade Integrada Pró-Paz (UIPP), de Cachoeira do Arari, onde o comandante foi apresentado durante a manhã.

Em depoimento, Luís Acácio confessou que não tinha habilitação para pilotar a embarcação e ainda admitiu que o barco estava com excesso de passageiros. Ainda, conforme o delegado, o comandante vai responder também pelo crime de expor a perigo embarcação ou aeronave, segundo o artigo 261, do Código Penal. Segundo o indiciado, o barco tem capacidade para 25 pessoas a bordo, porém, segundo a lista apresentada pelo acusado ao delegado, havia quase 60 pessoas na embarcação, entre tripulantes e passageiros. O barco saiu por volta de 23 horas de ontem, da comunidade de Vila Arapixi e seguia pelo rio Arari, em direção ao trapiche, no município, quando ocorreu o acidente.

Segundo versão apresentada pelo comandante à Polícia Civil, o naufrágio teria ocorrido em uma curva, a 500 metros do trapiche da cidade. Conforme o acusado, no momento do acidente, o barco estaria navegando contra a correnteza e por conta da força das águas, o barco teria tombado no rio. De imediato, 44 pessoas teriam sido resgatadas. Algumas chegaram a nadar até o trapiche para pedir socorro. A lista apresentada ao delegado pelo comandante lista 49 passageiros e oito tripulantes, dentre estes, o comandante, a esposa e a filha dele. Mas o delegado Arilson Caetano não acredita na relação apresentada pelo comandante. Para ele, o número de pessoas a bordo pode ser maior. Para tanto, as equipes de resgate continuam na região para proceder a retirada da embarcação do rio, como forma de verificar se há outras vítimas fatais do desastre. Os corpos foram levados para o ginásio de esportes de Cachoeira do Arari, para passarem por perícia. O trabalho de remoção e resgate conta com apoio de servidores públicos da Prefeitura de Cachoeira do Arari. A Polícia Civil aguarda o encerramento das buscas para ter a informação precisa do número final de vítimas fatais, bem como do laudo pericial de local de acidente que vai apontar a causa do naufrágio. De acordo com o delegado, o comandante do barco ficará preso na UIPP de Cachoeira do Arari à disposição da Justiça. Ele deverá ser transferido para uma unidade do Sistema Penitenciário.

RESGATE Dos mortos, quatro são crianças aparentando entre 10 e 15 anos. Doze corpos já foram necropsiados e identificados pelo Centro de Perícias Científicas Renato Chaves. O acidente ocorreu na curva do Tujá, no rio Arari, que fica a três minutos de Cachoeira do Arari. Segundo informações do sargento Orivaldo Santos, comandante do destacamento da Polícia Militar no município de Cachoeira do Arari, é provável que ainda haja mais vítimas, o que totalizaria de 15 a 20 mortos no acidente. “No total, 46 pessoas foram resgatadas com vida, mas ainda não sabemos quantas estão desaparecidas, pois não encontramos nenhuma lista contendo o número exato de passageiros a bordo. Algumas informações nos levam a acreditar que haverá 80 pessoas a bordo, mas isso ainda não foi confirmado”, informou.

Dos sobreviventes, nove estão internados na Unidade Básica de Saúde de Cachoeira do Ariri. Uma criança de 6 anos foi transferida em estado grave ainda pela manhã para Belém, com o auxílio do helicóptero do Grupamento Aéreo do sistema de segurança. Uma equipe do Centro de Pericias Científicas Renato Chaves, com médico, odontolegista e auxiliar técnico de perícia, retornou do local do acidente por volta das 18 horas desta sexta-feira (19). Todo o trabalho de necropsia foi feito no necrotério da cidade, o que deu mais celeridade na emissão do laudo de liberação dos corpos para sepultamento das vítimas. O centro está com uma equipe de plantão caso seja necessário o deslocamento até o local do acidente, e no sábado (20), um perito será enviado para fazer laudo pericial na embarcação.

O Grupamento Fluvial está no local para garantir a segurança e dar apoio ao trabalho, enquanto uma equipe de mergulhadores do Corpo de Bombeiros trabalha no resgate dos corpos dos passageiros que ainda estão desaparecidos. Segundo o sargento Orivaldo, o barco saiu por volta das 5 da manhã de quinta-feira da vila de Arapaxi, em Chaves, com destino a Belém. “Acreditamos que o acidente aconteceu quando o barco estava fazendo a curva do Tujá, que é bastante estreita. Provavelmente, o comandante perdeu o tempo para fazer a manobra e o barco teria adentrado a mata e virado”, conta o sargento. Uma equipe da Polícia Civil ainda está colhendo depoimentos dos sobreviventes para apurar as causas do acidente.

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Com informações: Polícia Civil