PL que sugere aborto e auxílio a vítimas de estupro gera repudio nas redes sociais

Um novo Projeto de Lei de autoria do senador cearense Eduardo Girão(Podemos), que oferece auxílio para as vítimas de estupro caso ela opte em ter a criança mesmo que o aborto seja concedido pela lei.

O assunto ganhou repercussão nas redes sociais por meio da hashtag #GravidezforçadaÉTortura. A PL está em tramitação no senado e tem como objetivo proibir um direito já adquirido na Justiça pelas brasileiras: o do aborto legal em casos de gestação que coloca em risco de vida a mulher, que seja resultado de um estupro e quando o feto é anencéfalo.

No documento de oito páginas, chama a atenção o fato de o senador descrever pontos que já são previstos em leis, como o atendimento pelo SUS, políticas públicas de assistência social, pensão alimentícia e proteção da criança.

Porém existem outros pontos no projeto que ignoram completamente o direito as mulheres e que ferem as vítimas psicologicamente, socialmente até mesmo fisicamente.

O projeto de lei propõe:

Entidades de defesa dos direitos da mulher, ativistas e advogadas repudiam o projeto de lei, pelos danos absurdos que causariam na vítima. Caso aprovado, a vítima teria que conviver com o abusador, o que traria danos psicológicos muito sérios além da possibilidade de haver mais agressões físicas e sexuais, e também criar o fruto de abuso sexual que traz muita dor e sofrimento.


A proposta para a criação do “Estatuto da Gestante” está sendo chamada nas redes sociais de “bolsa estupro“. A proposta está sendo classificada pela população como ” perversa”.

A Pesquisadora de questões de gênero e autora de duas edições da Pesquisa Nacional de Aborto (2010 e 2016), Débora Diniz, lembra que parte das vítimas de estupro no Brasil são crianças e adolescentes — o país recebe uma denúncia de estupro de meninas de até 14 anos a cada duas horas, segundo dados do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos.


“O projeto transforma a vítima de violência sexual em gestante e o estuprador em pai, dando a eles direitos a respeito da vida da vítima. Além disso, transforma o estupro numa batalha moral sobre futuros de crianças, o que sequer é uma questão quando uma menina ou mulher sofre um estupro“, explicou a especialista.

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