Família de missionários é investigada por suposto apoio ao Comando Vermelho

Polícia Civil aponta que projeto religioso teria sido usado para levar recados, movimentar dinheiro e aproximar investigados de lideranças da facção em Mato Grosso

Uma investigação da Polícia Civil de Mato Grosso colocou uma família de missionários no centro de um caso envolvendo suspeitas de ligação com o Comando Vermelho. Segundo a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), Rhavenna Barcelos de Almeida e seus pais, os pastores Nivaldo de Almeida e Orminda de Almeida, integravam um grupo autorizado pelo governo estadual a prestar assistência religiosa em unidades prisionais.

A suspeita dos investigadores é de que esse acesso tenha sido utilizado para manter contato com integrantes da facção e prestar diferentes formas de apoio a criminosos.

A apuração começou após uma denúncia sobre a possível relação da família com integrantes do crime organizado. Com autorização judicial, os investigadores tiveram acesso a mensagens, fotografias, vídeos e áudios que, segundo a polícia, revelariam a proximidade dos investigados com membros da facção. A Draco sustenta que o trabalho religioso teria servido de oportunidade para transmitir recados entre presos, disponibilizar contas bancárias para movimentações financeiras e auxiliar na ocultação de valores provenientes do tráfico de drogas.

Um dos personagens citados na investigação é Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como “Batman”, apontado pela polícia como liderança do Comando Vermelho em Mato Grosso. Ele deixou o sistema prisional para cumprir o regime semiaberto em setembro de 2024, rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu para o Rio de Janeiro. A investigação afirma que Rhavenna mantinha um relacionamento com ele e teria viajado ao Rio para encontrá-lo.

Conversas analisadas pelos policiais também indicariam que ela tinha conhecimento sobre a localização do foragido e acompanhava movimentações policiais no Complexo do Alemão.

Os investigadores também encontraram registros da missionária com armas, dinheiro, joias e veículos de luxo. Entre os bens citados na apuração está um Porsche avaliado em aproximadamente R$ 600 mil, que, conforme a polícia, pertenceria a “Batman”. A Draco ainda identificou uma suposta relação de Rhavenna com Renildo Silva Rios, apontado pela investigação como um dos fundadores da facção em Mato Grosso.

Rhavenna Barcelos de Almeida e os pais, Nivaldo e Orminda, tinham autorização para realizar assistência religiosa dentro de unidades prisionais.Polícia afirma que o acesso aos presídios teria sido utilizado para transmitir recados, movimentar dinheiro e estreitar relações com integrantes da facção. (Foto: Reprodução)

Ao final da investigação policial, Rhavenna, Orminda e Nivaldo foram indiciados por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Posteriormente, o Ministério Público denunciou Rhavenna, Orminda e Renildo pelos mesmos crimes. A Justiça também proibiu investigados e outras pessoas citadas no inquérito de participarem de atividades de assistência religiosa dentro das unidades prisionais.

Nivaldo morreu recentemente em decorrência de um câncer.

As acusações são contestadas pelas defesas. A defesa de Rhavenna nega as acusações e afirma que os fatos serão esclarecidos no processo, enquanto a defesa de Orminda sustenta que ela não possui participação em organização criminosa. O caso segue sob análise das autoridades competentes. (As informações são do site Saiba Agora Pará)

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