Após reportagem, Bolsonaro ameaça fechar Rede Globo

Foto: Divulgação

O presidente Jair Bolsonaro fez uma live logo após o término do Jornal Nacional de ontem (29), que divulgou reportagem revelando que os acusados de matar a vereadora Marielle Franco estiveram em seu condomínio, no Rio de Janeiro, no dia do crime. Bolsonaro usou a live para se defender e atacar a matéria jornalística, que classificou como “patifaria”.

Direto da Arábia Saudita – onde eram quase 4h da madrugada –, e muito exaltado, Bolsonaro abriu guerra contra a emissora e também contra o aliado e governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel. Acusou a rede de fazer um “jornalismo podre e canalha” e Witzel de ter vazado o processo sobre o assassinato para a TV Globo.

Bolsonaro ressaltou que jamais poderia estar na sua casa no condomínio, uma vez que estava em Brasília participando de sessões da Câmara – à época, era deputado federal. Segundo ele, o porteiro do condomínio, que, de acordo com a reportagem, teria dito que um dos envolvidos no caso, o ex-policial militar Elcio Queiroz, teria anunciado na portaria que iria à casa 58, de propriedade de Bolsonaro, mas acabou indo para a de Ronnie Lessa, outro envolvido, teria sido forçado a dar esta declaração ou não leu o processo. “Ou ele mentiu ou o induziram a um falso testemunho”, disse o presidente.

O TV Globo reagiu a live do presidente

Em relação às ofensas que o presidente Jair Bolsonaro dirigiu à Globo, a emissora divulgou a seguinte nota:

“A Globo não fez patifaria nem canalhice. Fez, como sempre, jornalismo com seriedade e responsabilidade. Revelou a existência do depoimento do porteiro e das afirmações que ele fez. Mas ressaltou, com ênfase e por apuração própria, que as informações do porteiro se chocavam com um fato: a presença do então deputado Jair Bolsonaro em Brasília, naquele dia, com dois registros na lista de presença em votações.

O depoimento do porteiro, com ou sem contradição, é importante, porque diz respeito a um fato que ocorreu com um dos principais acusados, no dia do crime. Além disso, a mera citação do nome do presidente leva o Supremo Tribunal Federal a analisar a situação.

A Globo lamenta que o presidente revele não conhecer a missão do jornalismo de qualidade e use termos injustos para insultar aqueles que não fazem outra coisa senão informar com precisão o público brasileiro. Sobre a afirmação de que, em 2022, não perseguirá a Globo, mas só renovará a sua concessão se o processo estiver, nas palavras dele, enxuto, a Globo afirma que não poderia esperar dele outra atitude. Há 54 anos, a emissora jamais deixou de cumprir as suas obrigações.”

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