Cerca de 50 crianças percorrem o trajeto das colônias do distrito da Vila do Carmo, todo dia, até a escola de Ponta de Terra; muitos saem de casa às 6h para poderem chegar depois de 1h de caminhada a escola, devido à falta de transporte escolar na região. Pais de alunos dizem que não há merenda desde o Junho de 2017, antes só se ofereciam biscoitos devido não haver cozinha na escola, que é improvisada, as salas funcionam dentro das dependências da Igreja Assembleia de Deus, a comunidade reclama do abandono e diz que as crianças entram 7:30h e saem 9h devido a falta de merenda escolar.
“Já pediram para nós R$ 5 todo mês como se fosse uma mensalidade, e já até nos disseram que temos que ter responsabilidades de mandar nossos filhos com merenda pra escola, mas como posso mandar se não temos pra comer, na época da farinha, mando mingau de farinha para meus filhos, gostaria que o secretario de educação viesse ver nossa escola” diz uma mãe de uma aluna que não gostaria que seu nome não fosse divulgado com medo de perder o bolsa família.
Semana passada um aluno da escola desmaiou de fome no ramal que liga sua casa para a estrada da escola, a reclamação de fome é comum entre os alunos. As aulas acontecem em um barracão improvisado, sem cadeiras adequadas em Ponta de Terra localidade de Cametá, próximo a PA 151.
Dado do site QEdu, apontam que no local não há estrutura mínima para os alunos aprenderem, nem mesmo água filtrada existe no local, para beber água as crianças pegam de uma cacimba. Outra dificuldade é para fazer as necessidades fisiológicas, não existe banheiro também.
No horário da tarde a situação é pior em muitas vilas do município, como as famílias têm renda baixa, muitos desses alunos saem sem almoçar. A Pedagoga Especialista em Educação Ana Carolina, afirma que boa parte das crianças nem tem o que comer em casa, e vão à escola contando com a merenda, mas como não tem muitas delas pararam de estudar.
No Rio Guajará a situação não é diferente, a professora descreve que: “Ficam dispersos, não prestam atenção. Eles falam: ‘tia, tô com fome.' […] A escola faz o que pode, chama a família, o Conselho Tutelar deveria tomar alguma atitude, afirmo que a culpa não é da diretora e nem da escola”, diz a professora que não quis que seu nome fosse divulgado com medo de perseguição politica.
As informações foram publicadas nesta semana no blog Folha de Cametá.