No Pará 42% das pessoas infectadas por Covid-19 são profissionais de saúde

Foto: Reprodução/Agência Pará

Em menos de um mês, três médicos que atuavam no combate ao novo coronavírus foram contaminados e morreram no Estado do Pará. Outros seis médicos estão com a doença, em estado considerado grave e até entubados. Além disso, existem outros médicos que já apresentaram os sintomas da doença e foram afastados da “frente de batalha” contra a Covid-19.

As mortes ocorreram em Belém, Castanhal e Parauapebas. Além dos médicos, profissionais de saúde da rede pública e privada, que atuam na capital e interior do Estado denunciam, diariamente, a exposição à doença, mas com pouca segurança.  

Este cenário levou a direção do Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa) a acionar o Ministério Público Estadual, Secretaria Estadual de Saúde (Sespa) e dos municípios, onde os casos são mais graves, solicitando ações de proteção aos profissionais.

A entidade afirma que baseado nos próprios dados da Sespa, 42% dos casos de contaminação por covid-19 registrados no Pará são de profissionais de saúde, em consequência da falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) em quantidade suficiente para as equipes que atuam nas unidades de saúde, UPAs e hospitais e ainda, que há dificuldade de esterilização do material reutilizável, além da deterioração cada vez maior das condições de trabalho com segurança para atender aos pacientes contaminados.

Por isso, nesta segunda-feira (20), o Sindmepa divulgou nota pública em seu site, em que orienta os médicos paraenses “que não aceitem trabalhar sem proteção, especialmente sem a garantia da legislação trabalhista vigente, que assegura o mínimo de amparo em caso de afastamento por doença”.  

A nota também recomenda aos profissionais a denunciar as más condições de trabalho no site do Sindmepa, que é assegurado o sigilo.

Redes pública e privada têm condições semelhantes de pouca segurança 

O coordenador do Sindmepa, médico Waldir Cardoso, afirma a situação é muito grave na rede pública, mas hospitais privados também estão atuando da mesma forma, onde os profissionais também denunciam a falta de segurança, principalmente por falta de EPIs suficientes, como máscaras e aventais adequados ao trabalho.

A situação de insegurança trabalhista dos médicos é extamente preocupante, segundo Waldir Cardoso. Ele cita o caso do Hospital de Campanha de Santarém, anunciado pelo governo do Estado do Pará, com a finalidade de atender casos de covid-19 da região Oeste paraense. 

O governo repassou a gerência do hospital para o Instituto Panamericano de Gestão (IPG), organização social, que já administra o Pronto-Socorro Municipal de Santarém. No começo de abril, o IPG lançou edital de Processo Seletivo para contratação dos profissionais que irão compor as equipes de atendimento do hospital excluiu os médicos.

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Segundo Cardoso, o Sindmepa acredita que a entidade pretende fazer as contratações dos médicos para atuar no Hospital de Campamha de Santarém apenas por prestação de serviço, sem a segurança da legislação trabalhista.

O Sindmepa enviou ofício à Sespa e ao IPG, questionando: “Serão contratados médicos para o Hospital de Campanha de Santarém? Se a resposta for negativa, como pretendem superar a falta e a necessidade dos profissionais médicos?  Se a resposta for positiva, qual o motivo de não haver previsão para a seleção de médicos? Como serão selecionados e contratados? Que vínculos laborais pretendem estabelecer com os profissionais médicos?”.

Considerando a urgência que o caso requer e a possibilidade, se necessário, de questionar judicialmente a conduta e o ato de gestão, pedimos que a resposta aos nossos questionamentos sejam encaminhados por via digital, no prazo de 72 horas, no máximo, sob pena, de adotarmos medidas, em razão do silencio consciente.

Ele questiona, que segurança terão os médicos que vão expor suas vidas, tentando salvar as vidas de outras pessoas, em um ambiente sem a devida proteção de equipamentos e sequer a retaguarda legal de direitos lhes é assegurada.

“O médico precisa ter a segurança necessária para atender as pessoas, sabendo que se for contaminado e precisar se afastar, ele e sua família têm direitos assegurados”, ressalta Cardoso.

A estrutura do hospital começou a ser montada na quarta-feira, 8 de abril, com previsão de conclusão na segunda-feira (20), onde foram instalados 120 leitos para  atender pacientes do oeste do Pará.   

Fonte: Roma News

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