Câmara de Belém apreciará proposta de cotas raciais nos concursos públicos da capital paraense

Câmara Municipal de Belém pode aprovar cotas raciais para os concursos públicos na capital. Projeto de lei do vereador Wilson Neto (PV), foi protocolado nesta segunda-feira, 3, prevendo o sistema de cotas raciais no funcionalismo público, em Belém. 

O projeto está em consonância com a Lei Federal n°12.990/2014, que estabelece as ações afirmativas nos concursos públicos a nível federal. O projeto visa garantir o acesso ao serviço público por meio das cotas, dando andamento a um processo histórico de reparação,como alega o autor da matéria. 

Essa garantia foi  legitimada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a atuação de cada ente para regulamentar a lei federal. 

“Estou muito feliz e honrado em ser instrumento para propor o projeto criado com grandes ativistas e estudiosos da causa racial que elaboraram e assinaram juntamente comigo o projeto”, destaca o vereador Wilson Neto, referindo-se as professoras Helena Rocha e Aiala Colares e ao advogado Paulo Victor Squires. 

O projeto de lei dispõe de recomendações a todos os órgãos da sdministração pública direta e indireta do Município, que ficam obrigados a disponibilizar em seus quadros de cargos efetivos o limite mínimo de 20% das vagas e/ou cargos públicos para negros e negras; a autodeclaração será considerada dentro dos critérios raciais, evitando fraudes e assegurando a aplicação e finalidade da política pública; em caso de não preenchimento do percentual mínimo para ingresso através de concurso público, as vagas remanescentes serão distribuídas aos demais candidatos.  

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), depois de mais de 15 anos desde as primeiras experiências de ações afirmativas no ensino superior, o percentual de pretos e pardos que concluíram a graduação cresceu de 2,2%, em 2000, para 9,3% em 2017. Em 2011, do total de 8 milhões de matrículas, 11% foram feitas por alunos pretos ou pardos. Em 2016, ano do último censo demográfico, o percentual de negros matriculados subiu para 30%. 

Em 2019, pela primeira vez, o número de universitários pretos (12,9%), pardos (61,3%), amarelos (2%), quilombolas (3,4%) e indígenas (0,9%) é superior ao de brancos nas universidades brasileiras, e essa realidade também marca a Universidade Federal do Pará (UFPA), em que 78,4% dos estudantes se autodeclaram PPI.

Por Ascom/PV

Sair da versão mobile