Delegado nega acusações e diz não ter discutido com investigador que infartou

Crédito: Reprodução / Facebook

Alexandre Calvinho Broni, 38, delegado da Polícia Civil afastado de suas funções desde a última sexta-feira (16), conversou com exclusividade com o portal Roma News na manhã deste sábado (17). Calvinho teve a arma de fogo apreendida e não tem previsão de retorno ao trabalho. A decisão foi tomada durante uma audiência de custódia realizada em Belém.

O delegado teria se envolvido em uma discussão na última quinta-feira (feriado de 15 de novembro), quando uma equipe da Delegacia de Crimes Funcionais (Decrif) foi até o prédio onde Calvinho mora com a família. Ao chegar no local, um investigador identificado como Cláudio, teria presenciado a discussão entre a equipe da Decrif e o delegado hoje afastado. Cláudio teria passado mal e foi levado para um hospital com um princípio de infarto, onde não resistiu.

“No dia 15 de novembro eu fiz o aniversário da minha filha e, por volta de quatro e meia da tarde, minha filha, duas amigas e minha esposa subiram para pegar roupa de banho. Uma coleguinha apertou na campainha de um vizinho. Quando minha mulher abriu a porta, apareceu o vizinho, um médico, trajando apenas cueca. Ele gritou muito dizendo que queria descansar e que estavam perturbando o sossego dele. Minha esposa desceu com as crianças e eu estava conversando com meus amigos”, revelou Calvinho detalhando como a discussão entre vizinhos começou.

“O médico desceu para para a área da piscina, onde estávamos, e perguntou se havia sido a minha filha, que tem apenas 12 anos, a criança que apertou a campainha. Eu disse que tomaria todas as providências necessárias com relação ao comportamento dele. Nós discutimos e muitos pediram calma para ele. Uma das crianças disse que apertou a campainha porque estava brincando e parecia que tudo tinha ficado mais calmo. Ele (o vizinho) virou de costas e foi embora”, completou.

Entretanto, a discussão teve apenas uma trégua, segundo Calvinho. “Por volta de sete e meia da noite, fomos ao supermercado. O Delegado Marcos Vinícius veio e disse que tinha ordem para me levar. Ele pediu a chave do carro e para que eu me apresentasse na Decrif . Agora, que eu saiba, desavenças entre vizinhos não é função da Decrif”, reclamou.

“Quando ele (delegado Marcos Vinícius) viu que não tinha nenhuma vítima no prédio, ele quis levar o síndico para prestar depoimento. Ele [síndico] disse que não teria nada contra mim. Eu disse que ligaria para o sindicato dos policiais civis dizendo que não havia vítimas ou testemunhas para essa condução. Os investigadores não cumpriram a ordem. O certo é que um dos investigadores me deu uma gravata e eu me protegi. Não permiti que me algemassem”, disse Calvinho.

Sobre o investigador que morreria, horas depois, no hospital, o delegado afirmou que sequer teve contato físico ou verbal com ele. “O investigador que faleceu ficou de longe olhando, acompanhando tudo ao lado de uma outra investigadora. Nessa hora chegou o meu advogado pedindo para que o delegado não me conduzisse”, declarou.

Segundo Calvinho, foi aí que a discussão cessou e as atenções se voltaram para o investigador que passava mal. “Depois da confusão, um dos investigadores (Cláudio) caiu, bem distante de mim. Minha esposa jogou o celular longe e correu para fazer os procedimentos de primeiros socorros com o rapaz. O Marcos Vinícius disse que eu fugiria, o que não é verdade. Fomos todos para o Hospital Saúde da Mulher. O delegado me acusou de desacato, ameaça e fez um flagrante arbitrário”, lamentou.

Desavença antiga

De acordo com o delegado Alexandre Calvinho, a discussão entre ele e o vizinho poderia não ter tido a mesma proporção caso a diretoria da Decrif não tivesse um entrevero com ele.

📲 Participe do Canal do Portal Tailândia no WhatsApp
📲 Acompanhe o Portal Tailândia no Facebook, no Instagram e no X.

“A diretora da Decrif, delegada Bruna Paulucci, teve um problema comigo quando ela era superintendente em Paragominas e eu delegado em Mãe do Rio. Ela levou essa situação para o lado pessoal e provavelmente quis fazer algo na primeira oportunidade”, declarou indicando que a ida do delegado Marcos Vinícius a sua residência não tenha sido somente por conta do problema com o vizinho.

Sobre as providências que pretende tomar, Calvinho declarou que deseja “voltar a trabalhar em paz” o quanto antes. “Eu vou entrar em ação para trancar esse inquérito policial e vou atrás de meus direitos pelos danos morais que eu e minha família estamos sofrendo”, finalizou o delegado que atua na delegacia do Marco, em Belém.

Fonte: Roma News

Sair da versão mobile